Evento em comemoração do dia Internacional da Mulher



 O Dia Internacional da Mulher foi comemorado em grande estilo e consciência pelo Grupo Cultural Lata Doida. Em um evento organizado em parceria com Programa de Saúde da Família, aconteceram diversas atividades e apresentações artísticas que trataram da questão feminina na sociedade sob diversos ângulos. Palestra sobre direitos da mulher e saúde da mulher, desfile das "Miss Cohab", atendimento de terapeutas ocupacionais, desfile com modelos da comunidade apresentando peças produzidas com reaproveitamento de material, apresentação musical com repertório selecionado para a ocasião, exposições de artesanato, dentre outras...
 A associação Grupo Cultural Lata Doida faz um agradecimento especial aos amigos de Japeri, a assistente social Simone Sarmento e a Terapeuta ocupacional Fabiana pelo grande apoio dado ao evento.

















 






Matéria revista Rep Web - Educação e Terceiro Setor (07/2010)

As iniciativas da Associação Grupo Cultural Lata Doida não têm nada de insano. A ONG, criada há um ano, desenvolve um trabalho sério, focado principalmente nas crianças e adolescentes da Cohab de Realengo, zona oeste do Rio. A organização está sediada em uma pequena casa no entorno do conjunto habitacional popular, que reúne mais de 18 mil moradores e já foi considerado o segundo maior da América Latina.Difícil é definir a origem do som que sai do espaço alugado. Dependendo do dia e horário, o barulho tem um significado diferente.
A maioria das atividades é realizada na garagem, que fica na frente do imóvel. Lá, são oferecidas oficinas...

Veja o restante da matéria no site: repweb

Dia do Indio Lata Doida


   Atividade feita no mês de abril com a molecada do Lata Doida, objetivando trazer uma consciência sobre a importancia histórica e cultural dos primeiros habitantes do Brasil e resgatar costumes tão raros em nossa sociedade, como: Ouvir, respirar com calma, valorizar a coletividade, se sentir parte da Natureza, valorizar suas raizes e muitas outras qualidades extintas da vida urbana no mundo contemporâneo. Todas as Maracas foram construidas (garrafa Pet) e pintadas pelas próprias crianças. Contamos Também com a Participação do Palhaço Pipoca!

Chumbinho - Brechó Brasil


    Os professores do Lata Doida também possuem um trabalho paralelo as oficinas da associação. Trata-se de "Brechó Brasil", uma banda de três: Vandré Luan, Allan Santos e Vanielle Bethânia. O nome vem das fortes influências musicais herdadas dos pais músicos. que ensinaram seus filhos a gostar da chamada popularmente "música de velho", marcando a identidade do grupo, que traz o novo sem esquecer que ele é fruto do velho e que tenta em suas composições expressar a periferia em uma linguagem particular e livre do sensacionalismo predominante.





Chumbinho

Chumbinho abriu um lava jato
Seu sonho é ser PM e não entende esse bagulho de inflação
Quer com comprar um carro velho, se esconder no insulfim                            
Deixar de ouvir o mundo pra escutar o “batidão”                                   
Fala muito m fé em Deus                                           
Mas diz as vezes ser prostituto   
O acho meio confuso, to ficando  preocupado     
Pois agora caiu na idéia de curtir ficar doidão
Começou quando a coroa engavetou
Há, foi de dar pena
A única que lhe tinha consideração    
seu pai sumiu no dia em que soube da mãe a gestação
está morando com a avó
que tem muito bom coração   
mas não sabe que chumbinho tá metido em confusão   
bateu até na namorada e os “caras” lhe deram uma leve correção
Mas da próxima não passa        
Chumbinho agora usa mais que nunca   
Sua vida sem droga é depressão                                          
E com droga um sonho de fugir dessa situação   
É amanha talvez!
mais alvo pra polícia                               
Uma pedra no sapato do senhor governador                        
Um menino mal, um problema social   
Mais um bandido de favela carioca   
Ou mais um escravo de multinacional   
                                                                                         
                                                                          Vandré Luan

Lata Doida em estúdio








  Gravação da música da campanha "Natal sem fome dos sonhos" realizada pela Ação e Cidadania em dezembro de 2010.  Rap composto pelo compositor Zé Miguel, que nos convidou para fazer o arranjo e gravação. Com exceção do Violão e do Xilofone, todos os instrumentos foram gravados pelos alunos da oficina de música do Grupo cultural Lata Doida.
























Um dia Deus resolveu criar o mundo
Dia e noite, céu e terra
Sol e lua, contrastes que se completam
Flores, frutos, árvores
De todas as formas, cores e texturas
Climas quentes, frios, secos e úmidos
Diversidade que enriquece, embeleza
O criou e viu que era bom
Tudo estava em harmonia, tudo estava em paz
Mas o criador sentiu falta de algo
Que mudaria o destino de tudo
E então fez sua criação mais complexa
forte e frágil, inteligente e burra
Sensível e cruel, contendo em si própria
Tantas contradições quanto a natureza
E Deus como um ser que odeia monotonia, homogeneidade e obviedades
Criou o ser humano, com uma só essência, mas de diversas formas
 E diferente da natureza esses seres encontraram imensa dificuldade
Em conviver com o diferente
Pois são dotados de sentimentos tais como soberba, orgulho, vaidade, egoísmo...
Por isso esse mundo que era tão perfeito
Depois dessa criação foi ficando cada vez mais caótico
Homens explorando homens, espancando, escravizando, matando
Tudo isso em nome da diferença
Interpretada absurdamente e por vezes convenientemente como inferioridade
Mas nessa dialética divina
Todas as contradições realmente se completam
 A beleza se faz presente e até mais exuberante na dor
A dor que homem não deseja
Mas que transforma em força
E o lado mais fraco, acaba sendo o lado mais forte
Justamente porque sofre mais
e é por isso que o lado negro
o lado negro do mundo, o lado negro do gueto
é tão forte, pois em todo tempo
tentaram calar sua voz e acorrentar suas mãos
depois do açoite do senhor que marcava a pele
Vieram os açoites do preconceito, da marginalização, da exclusão
o lado negro apanha, sofre, mas reage
com a força que só tem quem ta cansado de apanhar


                                                                           Vanielle Bethânia 
                                                                        
                                                    

                                       
                                      


                                                                         

                                           
                                            

Viagem ao Vale do Jequitinhonha - MG ( outubro de 2010)

     Vale do Jequitinhonha, uma das regiões de maiores índices de pobreza do Brasil, localizada às margens do rio Jequitinhonha, sofre com o abandono generalizado do nosso sistema, baseado na centralização economica que ainda concentra recursos no sudeste brasileiro.  Em uma viagem organizada por um pastor nordestino cabra da peste, Cesarino, da Igreja Batista Betânia,  o Lata Doida, através de Vandé Nascimento, Vanielle Bethania e Vania Maria, foram voluntariamente realizar oficinas de música e artesanato sustentável, com o objetivo de colaborar na formulação de alternativas culturais de driblar a falta de recurso e informação colaborando com iniciativas já existentes, entendendo que a região possui grande riqueza cultural, com forte tradição em artesanato e musica, como o exemplo o Coral de Lavadeiras de Almenara (http://www.coraldaslavadeiras.com.br/website/), conhecidas internacionalmente. 
       A primeira viagem foi em 2009, quando conhecemos Nina e seus meninos do AEJA, uma associação que trabalha com cultura e esporte, que ainda não tinha apoio nenhum. Nina falava sobre suas dificuldades de trabalhar com a música devido ao preço dos instrumentos e ficou impressionada com as inúmeras possibilidades que o lixo oferece quando apresentamos a idéia a ela e seus meninos, muito talentosos por sinal. Construimos pandeiros, tambores, triangulos, chocalhos, etc.,  trabalhando sempre o conceito lógico dos instrumentos, fomentando a criatividade, para assim poderem dar continuidade ao projeto com independencia e identidade.   
      Com as mulheres de almenara foi realizada a oficina de produção de sabão com reaproveitamento de material e artesanato sustentável, apresentando possibilidades de geração de renda a partir do lixo doméstico e trabalhando a consciencia ambiental. 

     Em outubro de 2010, a viagem foi realmente surpreendente e repleta de emoções. Ao chegar-mos os meninos da Nina (AEJA) nos recepcionaram com uma homenagem musical apresentada com instrumentos com material reaproveitado, e nos presentiaram com uma série de resultados que conseguiram obter com as idéias que nós os apresentamos.  A banda do AEJA, hoje tem uma grande popularidade em Almenara, fazendo apresentações em grandes eventos, gravando seu primeiro CD e funcionando como uma grande ferramenta de divulgação do projeto, que hoje já conta com uma sede própria, alugada pela prefeitura de Almenara. 
       Construimos esse ano Bonecas negras(Abayomi), com sobra de tecido, trabalhando a identidade negra. Construimos instrumentos novos, como: Marimba sustentável, pandeiro de pet, tarol de Balde. Fizemos oficinas teóricas e práticas de percussão e violão, e participamos com a palhaçaria de um evento promovido pela Igreja em comemoração ao dia das crianças.
   Infelizmente esse texto é só uma postagem de Blog e não um livro, por isso não há como descrever experiencia por experiência. Contudo, fica a seguinte lição para a molecada carioca: O Brasil é injusto de ponta a ponta, porém, nós da cidade grande devemos nos apropriar mais dos recursos que sobram para a periferia e fazer muito mais barulho pra ver se a opressão pelo menos ameniza no campo e na cidade.



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